Teologia

Silêncio dos inocentes

Página atualizada em 25/12/2013

Por muito tempo ainda pensei que teríamos alguma melhora em curto prazo, mas, pelo que ainda posso ver, não é verdade.
   O que podemos esperar de pessoas que cospem na calçada, jogam lixo em via pública, atiram latinhas vazias pela janela de veículos - vale lembrar que vi uma lata sendo atirada de dentro de um veículo de luxo, o que significa que o dinheiro não implica em cultura e/ou educação.
    Quando me refiro a comportamento, considero que pessoas bem educadas, tem obrigação de ter um comportamento social mais exemplar, pois são esclarecidas em relação a muitas coisas necessárias a vida.
Mas não são. Que pena.

    Vamos considerar que se estas pessoas são incapazes de se importar com o que as demais pessoas pensam e sentem, a expressão disso são os atos errados e insensatos.
   Ora, quem não se importa com os pequenos fatos, pouco provavelmente se importam com o resto.
   Há quem diga e rebata taxando essa tese de inconsistente, mas quero lembrar que a educação se faz pela prática: atos e comportamento, isto é, aquele que pratica com consciência, pequenos gesto nobres, todo o tempo, termina por praticá-los inconscientemente.
  Eu não preciso pensar para pedir desculpas quando cometo deslizes;
  Eu não preciso pensar para pedir por favor quando preciso de algo;
  Eu não preciso pensar para pedir licença quando interrompo uma conversa;
   É automático. Eu pratico o que aprendi com meus pais e avós. E agindo dessa forma passo a respeitar meus semelhantes em qualquer ocasião.

   Mas... o que isso tem a ver com silêncio ?
   Você já prestou atenção ao que acontece quando alguém esbarra deliberadamente em você? Lhe dá um safanão? Ou pisa em seu pé? Ou ainda o agride ?
   A reação é instantânea - revide e protesto. E em muitos casos leva até mesmo a agressão.
   Mas tenho visto com o coração apertado a agressão constante e deliberada contra animais. Em nenhum caso justificável.

   Eles são constantemente agredidos, espancados sistematicamente, deixados a míngua sem água e/ou comida, doentes apenas a espera de morrer. Aliás o que acaba por acontecer após muito, muito tempo de maus tratos.
   Não vou apenas fazer disto um protesto. Se puder... denuncio
se for necessário.
    Pergunte-se: Quando não denunciamos essa covardia somos co-autores, sim pois somos coniventes e "achamos" que o dono vai mudar, é uma má fase de sua vida, não é meu problema, não é correto denunciar.
   Ora... se não é correto denunciar para parar essa covardia, então... afinal o que é correto ?
    Pense: quem cospe na calçada não tem respeito pelo seu semelhante; quem bate e deixa morrer de fome e doença um animal não respeita nem um animal, quanto mais outro ser humano!
   Eu sinto o dever de convoca-lo para parar com todas essas covardias e desrespeito por todos os seres vivos que são nossa direta ou indireta responsabilidade.
  Esses animais morrem em silêncio.
   Apenas o olhar mostra a dor e o vazio que lhes resta. Não se rebelam, não se queixam. Apenas se deixam morrer.

   Disse o Rabino John Haddon, acerca dos nazistas em seu texto "Impulso para o mal" publicado pela revista Readers Digest Brasil: "Se eu acreditasse que os nazistas que mataram mais de 6 milhões de pessoas do meu povo estivessem, após a morte, desfrutando do mesmo tipo de vida que suas vítimas inocentes, ficaria desesperado. Uma perspectiva moral sustenta minha fé de que aqueles assassinos não estão dormindo em paz."
   A minha fé sustenta que a paz é muito mais profunda do que se possa descrever: no âmago da alma estarão nossos pecados, para livrarmo-nos destes só é possível praticando o bem e respondendo por nossos erros de forma responsável; arcando com as penalidades destes é que verdadeiramente poderemos chegar a Deus.

    Se puder, leia a história de Said no link acima.

© Prof. Vargas


Decidi não retirar o texto a seguir porque ele é um protesto.  Solitário, mas o meu protesto contra a crueldade humana.

24 - 03 - 2000
KOSOVO
Mulheres de Kosovo dão à luz a bebês gerados em abuso sexual de sérvios

BONN. Um ano depois de iniciados os 78 dias de bombardeios da Otan em Kosovo, completado hoje, a vida de milhares de fugitivos está longe de voltar ao normal. Dos 900 mil kosovares albaneses que deixaram suas casas, 70 mil continuam longe delas. Sobretudo mulheres sofrem os traumas da guerra e da violência sexual praticada pelos sérvios. Isabela Stock, da organização Medica Mondiale, de Colônia, na Alemanha, conta que pelo menos cem bebês nascidos em Pristina e nas redondezas foram abandonados pelas mães por terem sido gerados em estupros.
A organização abriu um centro de terapia em Gjakove, Kosovo, onde trata 650 mulheres que são duplamente vítimas da guerra. Além de terem perdido casa, marido e de serem marcadas pela violência sexual, são punidas pelo puritanismo e patriarcalismo de suas famílias muçulmanas. Mamara, de 17 anos, vive no centro, acaba de ter um bebê e não tem para onde ir.
- Muitas mulheres se suicidam por não encontrarem uma saída para sua situação - diz Isabela, depois de voltar de uma viagem aos centros de terapia da Medica Mondiale.
      Com o marido, Iso, e a filha de 4 anos, Teuta fugiu de Pristina para a Alemanha pouco depois do inicio dos bombardeios da Otan. Há quatro meses teve mais uma menina, Rida, filha de um desconhecido sérvio, gerada em um dos estupros de que foi vítima nas três semanas que passou numa prisão sérvia. Os quatro vivem em Berlim, num quarto cedido pela Prefeitura, mas em breve serão obrigados a deixar a cidade. Com o fim da guerra, os fugitivos perderam o direito de ficar na Alemanha. A mulher que admite ter sido vítima de estupro é abandonada pelo marido e até pelos pais.

Fonte: O Globo

Não deixemos nosso foco espiritual centrar na questão do "aborto" ou do "abandono" mas no "estupro", uma das atitudes "humanas" mais cruéis que podem ser cometidas. É uma desgraça que, no limiar do século XXI, ainda existam "homens" que pensem e ajam desta forma.


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